5 Tendências Logísticas para 2026

Em 2026, o setor logístico entra numa fase de maior exigência operacional. Pressões que vinham a acumular-se convergem agora num mesmo momento, tornando inevitáveis decisões que antes podiam ser adiadas.

O ano de 2026 não traz novidades isoladas à logística europeia, mas traz a convergência de várias pressões que estavam em formação e que agora se materializam simultaneamente: a regulamentação que entra em vigor, a escassez de recursos que atinge limites críticos e mudanças estratégicas que passam da fase de planeamento à execução concreta.

Para gestores de operações, tal significa que decisões que podiam ser adiadas em 2025 tornaram-se urgentes em 2026, não por preferência, mas por necessidade regulamentar, operacional e competitiva.

Para compreendermos melhor o estado atual da intralogística e as tendências que marcarão 2026, analisámos diretivas europeias em vigor, dados de mercado imobiliário e relatórios de implementação recentes. O padrão é claro: cinco tendências deixam de ser pontos de discussão a longo prazo e convertem-se numa realidade operacional que muitas empresas terão de enfrentar em 2026.

1. CSRD: relatório de sustentabilidade corporativa torna-se obrigatório 

A Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (Corporate Sustainability Reporting Directive – CSRD) deixa de ser uma recomendação e passa a ser uma obrigação legal para as empresas na União Europeia: em 2026, todas as empresas com mais de 250 colaboradores, ou com volume de negócios superior a 50 milhões de euros, têm de publicar relatórios detalhados sobre as emissões produzidas e o impacto ambiental.

Para o setor logístico, tal significa uma mudança operacional concreta. Os armazéns que operam 24 horas por dia com climatização constante, iluminação permanente e equipamentos automatizados, tornam-se pontos críticos de consumo energético, sendo que este consumo tem agora de ser medido, reportado e auditado por entidades externas.

A diretiva exige relatórios em três categorias:

  • Scope 1: emissões diretas
  • Scope 2: energia adquirida
  • Scope 3: cadeia de valor, incluindo transportes

Segundo os dados oficiais, espera-se que mais de 50 000 empresas na União Europeia sejam abrangidas pela CSRD até ao final de 2026. Para os operadores logísticos, isto não é apenas uma questão de conformidade documental, mas uma pressão direta sobre eficiência energética.

A consequência prática é imediata: armazéns sem sistemas de monitorização energética em tempo real ficam expostos, não conseguem fornecer dados auditáveis, não identificam desperdícios e não demonstram melhorias. Em contrapartida, as operações com automação integrada, incluindo os sistemas Miniload que podem operar sem intervenção humana direta e, literalmente, “às escuras” (e, por isso, também são conhecidos como dark warehouses), beneficiam de uma vantagem mensurável: consumos reduzidos, dados automáticos e conformidade incorporada no desenho operacional.

Segundo a Rhino Energy, que monitoriza consumos em instalações comerciais, a eletrificação crescente (frotas elétricas, automação) aumenta a complexidade energética das operações logísticas, tornando a monitorização remota e contínua um requisito básico para cumprir o CSRD.

A regulamentação não irá desaparecer. Pelo contrário, as revisões previstas de três em três anos tendem a aumentar exigências, não a reduzi-las. Para diversas empresas, tal significa investir em sistemas que já integram monitorização e eficiência energética, de forma a prepararem-se para requisitos progressivamente mais exigentes.

2. Escassez de espaço impulsiona otimização vertical 

As soluções de armazenagem vertical automática, como os armazéns automáticos VLM Hänel Lean-Lift, Rotomat e sistemas Miniload AS/AR, destacam-se por uma razão simples: permitem aumentar a densidade sem aumentar a área. A redução de até 80% do espaço ocupado face a sistemas horizontais convencionais traduz-se em valor imediato, sobretudo quando o custo do metro quadrado e a indisponibilidade de espaço passam a condicionar as decisões de investimento. Para decisores que procuram quantificar este impacto antes de avançar, o nosso simulador de economia de espaço calcula, com base em médias do sector, o potencial de recuperação de área no armazém e o retorno esperado para cada configuração específica, sendo esta uma análise preliminar e que é, posteriormente, complementada através de uma avaliação técnica detalhada e adaptada à realidade de cada operação.

Em sectores com uma gestão complexa de stock, o impacto é ainda mais relevante. Na indústria do calçado e têxtil, gerir milhares de referências com variações de tamanho, cor e modelo exige rapidez, exatidão e rastreabilidade. Neste contexto, os sistemas automatizados verticais conseguem reduzir em cerca de 60% o tempo de preparação de encomendas porque eliminam deslocações, consolidam pontos de acesso e aumentam a consistência do processo.

3. Nearshoring: da estratégia à execução em 2026 

Durante décadas, o modelo dominante foi relativamente linear: produzir onde os custos são mais baixos e transportar para onde a procura é maior. Este equilíbrio (custo vs. distância) está a ser reavaliado à escala europeia por necessidade operacional. O nearshoring, entendido como a aproximação da produção aos mercados de destino, deixou de ser um exercício estratégico e passou a ser uma resposta direta à volatilidade e ao risco acumulado das cadeias longas.

Os sinais são difíceis de ignorar, sendo que mais de 75% das empresas europeias reportaram atrasos disruptivos nos últimos anos e a resposta de muitas empresas não passou por aguardar pela normalização das rotas globais. Pelo contrário, a decisão foi verdadeiramente estrutural: reduzir a exposição, encurtar as dependências e aumentar a previsibilidade das operações. Atualmente, muitas organizações estão a reconfigurar as suas cadeias de abastecimento segundo um princípio simples: “na Europa para a Europa”.

Segundo a Bain & Company, as empresas com produção nearshored respondem 45% mais rapidamente a mudanças de mercado do que operações “offshore”. Esta agilidade não é abstrata: em sectores onde dias ou semanas determinam time-to-market, a capacidade de ajustar volumes em ciclos curtos traduz-se em quota de mercado.

Para as operações logísticas, o impacto é imediato e cumulativo: lead times mais curtos reduzem a necessidade de stock de segurança, a previsibilidade melhora o planeamento de recursos e a exposição a disrupções intercontinentais diminui. Em contrapartida, as cadeias tornam-se frequentemente mais complexas em termos de coordenação entre vários países e de gestão de múltiplos pontos de abastecimento, ou seja: menos distância não significa menos exigência, significa um tipo diferente de exigência.

Esta mudança já é visível em sectores específicos como a indústria automóvel, com a relocalização de componentes para veículos elétricos para a República Checa e Eslováquia, o que reduz a dependência de fornecedores asiáticos. No têxtil e calçado, marcas como H&M e Inditex já tinha relocalizado parte significativa da produção da Ásia para Portugal, Bulgária e Macedónia do Norte desde 2023. O resultado é visível em ciclos de produção mais curtos e maior capacidade de ajustar coleções em função da procura real, em vez de previsões de longo prazo.

Para gestores de armazenagem, a regionalização cria procura por instalações mais distribuídas geograficamente, com maior capacidade de resposta e flexibilidade para absorver variações de fluxo que antes eram absorvidas por stocks de segurança elevados em trânsito intercontinental.

4. Digital twins: a simulação antes de execução

A forma como as empresas gerem as operações logísticas está a mudar rapidamente. O modelo tradicional, que inclui análise retrospetiva mensal e ajustes reativos, está a dar lugar a sistemas que monitorizam, simulam e respondem em tempo real.

No centro desta transformação estão os digital twins, réplicas virtuais completas de redes logísticas que permitem simular decisões operacionais antes da sua execução física.

Os benefícios desta abordagem são claros: as empresas que implementaram digital twins reportam melhorias entre 20% e 30% na precisão das previsões e reduções de até 80% em atrasos e tempos de inatividade não planeados, de acordo com o relatório da nShift sobre tendências de entrega para 2026. Em redes logísticas multipaíses e transfronteiriças, particularmente comuns na Europa, esta capacidade de antecipação transforma-se num verdadeiro diferencial competitivo.

A evolução, contudo, não se fica pela simulação. Os estudos mais recentes indicam que os sistemas baseados em inteligência artificial estão cada vez mais aptos a redirecionar encomendas em trânsito de forma automática, reagindo a dados de tráfego, meteorologia ou constrangimentos operacionais em tempo real. As iniciativas mais avançadas em cadeias de abastecimento autónomas já demonstram ganhos relevantes: lead times 27% mais curtos e aumentos de produtividade laboral na ordem dos 25%, mesmo num sector cuja maturidade tecnológica global ainda é desigual.

5. Compliance digital: a documentação automática torna-se requisito

Para além da CSRD, 2026 introduz um conjunto crescente de obrigações de compliance digital com impacto direto nas operações logísticas. A iniciativa eFTI (electronic Freight Transport Information) avança no sentido da digitalização obrigatória da documentação de transporte, enquanto as regulamentações como o ETS2 (Emissions Trading System) e as regras de acesso a zonas urbanas de baixas emissões acrescentam novas camadas de exigência operacional.

Apesar da diversidade dos enquadramentos regulamentares, o padrão é comum: a conformidade passa a ter de ser demonstrada. Tal implica dados granulares, consistentes e auditáveis, suportados por registos automáticos, rastreáveis e verificáveis por terceiros ao longo de toda a cadeia logística.

Neste contexto, operações que dependem de registos manuais ou de sistemas parcialmente digitalizados enfrentam um duplo risco. Por um lado, aumentam a probabilidade de não-conformidade e, por outro lado, veem crescer os custos administrativos associados à produção, validação e manutenção de documentação regulamentar.

Em contrapartida, as empresas que investem em soluções integradas, capazes de gerar e preservar um histórico completo de condições operacionais como parte natural do processo, transformam a conformidade num ativo operacional. Quando a documentação é produzida automaticamente, de forma contínua e auditável, o esforço de compliance deixa de ser um custo adicional e passa a integrar-se na eficiência global da operação, num contexto em que cumprir deixou de ser diferenciador e passou a ser requisito básico de funcionamento.

O que distingue a automação eficaz em 2026 

A transformação logística em curso este ano é, acima de tudo, um exercício de consistência operacional. Num contexto de pressão regulatória, restrições físicas e expetativas operacionais crescentes, a maior vantagem competitiva irá resultar da capacidade de alinhar investimento, processo e execução. Em 2026, o valor estará menos na adoção e mais na consistência operacional.

 

Fontes:

European Commission, Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD); Prologis Research, European Logistics Outlook 2026; Rhino Energy, CSRD and Logistics Facilities: Adapting to EU Sustainability Reporting; Mordor Intelligence, Warehouse Automation Market 2025-2030; Bain & Company, Nearshoring Impact Report 2024; nShift, 2026 Delivery & Logistics Trends Report; BigMile, Emissions Reporting and Compliance in 2026: EU Edition

ARTIGOS RELACIONADOS

Mantenha-se atualizado e receba as últimas novidades subscrevendo a nossa Newsletter

NOTÍCIAS VRC WAREHOUSE TECHNOLOGIES

Receba as últimas novidades da VRC Warehouse Technologies na nossa newsletter mensal.

As perguntas-chave para escolher a
solução ideal

White Paper

Automatização de Armazéns

O futuro passa pela automação?

Setor Alimentar

White Paper Cadeia de Frio

Armazenagem inteligente e aumento da eficiência intralogística

E-commerce

Case Study Craftelier

Armazenagem inteligente e aumento da eficiência intralogística

Indústria Têxtil

Case Study Twintex

Automatização logística com separação isotérmica de ambientes na indústria farmacêutica

Indústria Farmacêutica

Case Study Hefame