Armazém automático Lean-Lift vs. Rotomat: qual é a melhor opção para o seu perfil de picking?

Dois sistemas de armazenagem vertical, dois padrões de operação. Antes de comparar velocidades e capacidades, a primeira pergunta é o que se armazena: caixas ou unidades soltas.

A comparação entre o armário vertical Hänel Lean-Lift e o carrossel vertical Hänel Rotomat surge com frequência em projetos de automatização de armazenagem para peças de pequena a média dimensão. Ambos são sistemas de armazenagem vertical automática, mas foram desenvolvidos para responder a necessidades operacionais diferentes e, em alguns casos, complementares num mesmo espaço logístico. A escolha correta influencia diretamente a cadência de picking, o aproveitamento do espaço disponível e a previsibilidade operacional ao longo do tempo.

Na VRC, a decisão entre Lean-Lift e Rotomat é sempre feita com base no processo do cliente e nas suas necessidades atuais e futuras, e não somente nas características técnicas do equipamento. Neste artigo, a comparação é feita por critérios de operação – o que se armazena, variabilidade do stock, padrão de acesso e KPI dominante – para que a decisão seja sustentada por critérios operacionais e não por uma lista de funcionalidades.

Os dois sistemas

Caixas ou unidades soltas: o primeiro critério

Antes de comparar velocidades e capacidades, há uma pergunta que resolve metade da decisão: o que vai ser armazenado. O Lean-Lift foi concebido para guardar caixas, de plástico ou de cartão, em bandejas cuja altura se ajusta ao conteúdo; por isso pertence à família dos armazéns automáticos para caixas. O Rotomat foi concebido para peças, componentes e consumíveis guardados diretamente em prateleiras e divisórias; por isso pertence aos sistemas para unidades soltas. Quando a carga é claramente de um tipo, a escolha está feita. A comparação que se segue interessa sobretudo às operações em que a carga é mista ou em que os dois sistemas convivem, e em que o padrão de acesso passa a ser o critério decisivo.

Armazém vertical Hänel Lean-Lift

O Hänel Lean-Lift é um armário vertical automático que armazena caixas de plástico e/ou cartão em colunas verticais e utiliza um extrator central para entregar a bandeja solicitada ao operador no ponto de acesso. A sua principal característica é a otimização automática da altura de armazenagem: sensores medem a altura real do conteúdo de cada bandeja e o sistema atribui-lhe a posição mais compacta, o que permite taxas de ocupação do volume acima de 95%, segundo o fabricante. Este princípio permite uma elevada densidade de armazenagem e um aproveitamento muito eficiente da altura do edifício. É particularmente adequado quando o armazém tem variedade real de referências e quando o ganho esperado se mede em densidade, organização e redução do tempo de procura.

Em números, e sempre em função da configuração: bandejas com capacidade até 750 kg (configurações reforçadas chegam aos 1 000 kg), extrator suspenso em quatro pontos que mantém a bandeja nivelada mesmo com carga desigual, velocidade vertical de 2,3 m/s em vazio e 1 m/s em carga, e posicionamento com precisão de ±1 mm. Opcionalmente, pick-to-light para indicar o artigo na bandeja, pré-carregamento da bandeja seguinte enquanto o operador trabalha na atual câmara integrada para registo fotográfico de cada acesso, e modos de poupança que desligam a máquina em períodos de inatividade. Em operações com peças de altura e formato médio ou pesos variáveis, o Lean-Lift reduz o desperdício de espaço e adapta-se facilmente à evolução do stock ao longo do tempo. É uma solução particularmente indicada para ambientes industriais exigentes, com grande diversidade de referências, necessidade de precisão e funcionamento contínuo em múltiplos turnos.

Carrossel vertical Hänel Rotomat

O Hänel Rotomat é um carrossel vertical automático em que as bandejas se movimentam em rotação vertical, entregando os artigos pelo percurso mais curto até à abertura de acesso. O seu princípio de funcionamento privilegia a rapidez de disponibilidade dos produtos armazenados e a continuidade do picking, tornando-o especialmente eficaz em operações com elevada cadência.

Em números: bandejas com capacidade até 750 kg, subdivisíveis com prateleiras intermédias e divisórias móveis, dois motores sincronizados que garantem rotação estável mesmo com carga distribuída de forma desigual, alturas tipicamente até 14 metros e a possibilidade de várias aberturas de acesso, inclusive em pisos diferentes. É o sistema mais simples de adaptar a ambientes controlados: versões para humidade constante, ar filtrado e temperatura controlada, de série entre -20 °C e +40 °C. Quando as peças médias têm dimensões consistentes e o processo é repetitivo, o Rotomat permite reduzir tempos de espera entre picks e manter um fluxo de trabalho estável. Tende a ser uma escolha forte quando o padrão de recolha é frequente e repetido (sequências, kits, consumíveis), e quando o KPI dominante é tempo por recolha ou cadência por posto. A sua robustez mecânica garante um desempenho fiável mesmo em contextos de utilização intensiva.

Diferenças entre Lean-Lift e Rotomat

Do ponto de vista operacional, o Lean-Lift adapta-se melhor a ambientes com grande variedade de referências e menor repetição de picking. O Rotomat é particularmente eficaz em fluxos estáveis, com elevada repetibilidade e processos bem definidos, onde a velocidade, segurança e ergonomia do operador assumem um papel central.

O Hänel Lean-Lift é indicado quando a prioridade é a densidade de armazenagem, a flexibilidade para peças médias variáveis e a fiabilidade em funcionamento contínuo. O Hänel Rotomat é a solução adequada quando o foco está na rapidez de acesso, no picking repetitivo e na maximização da produtividade. Em termos práticos: quando a pergunta é “como organizar melhor variedade com densidade”, o Lean-Lift costuma ter vantagem; quando a pergunta é “como manter ritmo e reduzir micro-esperas entre picks”, o Rotomat tende a ser mais competitivo, e, para artigos de dimensão fixa, fá-lo em regra com menor ocupação de solo e menor investimento. Quando a dúvida é mais ampla do que estes dois sistemas, o guia sobre como escolher um sistema de armazenagem enquadra a decisão por perfil de operação.

CritérioLean-LiftRotomat
Tipo de cargaCaixas de plástico ou cartão, em bandejas de altura ajustávelPeças e unidades soltas, em prateleiras e divisórias
Carga por bandejaAté 750 kg (configurações reforçadas até 1 000 kg)Até 750 kg
Variabilidade do stockMais indicado para diversidade de alturas e formatos; ajusta automaticamente o espaço de armazenagemMelhor desempenho com peças homogéneas que não exigem grande flexibilidade dimensional
Velocidade de picking e throughputVelocidades elevadas (2,3 m/s em vazio), com equilíbrio entre densidade, precisão e fiabilidade em ciclos prolongadosDestaca-se pela redução do tempo de acesso, pelo percurso mais curto, e pelo picking rápido e contínuo
Aproveitamento de espaçoAproveitamento mais agressivo da altura do edifício; requer menos espaço lateral, ideal para instalações existentes com limitações físicasSolução compacta, tipicamente até 14 m, com ganhos especialmente visíveis quando há acesso muito frequente e repetitivo
Ambientes controladosDe 0 °C a +40 °C; opções de sala climatizadaDe -20 °C a +40 °C de série; versões para humidade e ar filtrado
Padrão de acesso (critério decisivo)Procura mais distribuída e variada; valor em organização, densidade e controloProcura repetitiva e cadenciada; valor em ritmo e tempo por recolha

Valores dependem da configuração de cada equipamento.

Quando usar cada sistema

A introdução falava em complementaridade, e o caso mais comum é este: uma operação industrial com um stock alargado de componentes em caixas, de rotação irregular, e um conjunto pequeno de consumíveis ou peças de alta rotação que abastecem um posto de montagem ou de manutenção. O Lean-Lift fica com o primeiro, porque a densidade e a adaptação à variedade pesam mais do que a cadência; o Rotomat fica com o segundo, junto do posto, porque o que interessa é o tempo entre recolhas. Os dois partilham o mesmo software de gestão e o mesmo controlo de acessos, o que permite geri-los como um único sistema.

Dois casos práticos

Os dois sistemas convivem com frequência na mesma operação: o Rotomat para artigos pequenos, frágeis ou de formato irregular, com recolhas rápidas e repetidas; e o Lean-Lift para referências de volume médio e dimensões variáveis, em que a densidade pesa mais do que a cadência. A operação da Craftelier, marca espanhola de e-commerce com mais de 30 000 referências e entregas em 24 horas, assenta precisamente nesta combinação: quatro Hänel Rotomat e dois Hänel Lean-Lift instalados numa frente de apenas 8 metros e ligados por transportadores à expedição. Em conjunto, asseguram cerca de 60% das linhas de picking e permitem processar até 120 encomendas em paralelo.

Quando o problema se resume a variedade e espaço, um único tipo de equipamento pode ser suficiente para responder às necessidades da empresa, como demonstra a Twintex, confeção portuguesa de vestuário do Fundão, onde os kits de montagem, com dimensões e pesos muito diferentes, ocupavam uma área de que a fábrica precisava para produzir. Com a instalação de um Lean-Lift de 6,3 metros, a empresa passou a arrumar os mesmos kits em altura e libertou 40% da área que o stock ocupava no piso fabril.

O que os dois sistemas têm em comum

Em qualquer dos casos, o equipamento é só metade do resultado. O Lean-Lift e Rotomat entregam a mercadoria ao operador, mas é o software que decide o que entregar, em que ordem e com que validação; a integração com o WMS e o ERP é o que transforma uma máquina rápida numa operação controlada, como explicamos em a importância do software na gestão de armazéns. E ambos partilham a lógica energética dos sistemas automáticos: motores com conversor de frequência, que consomem até metade da energia de um motor ligado diretamente à rede, modos de poupança em inatividade e, no Lean-Lift, recuperação da energia de travagem do extrator, que o fabricante situa em até 40% da energia consumida. O princípio está explicado em recuperação de energia em armazéns automáticos.

Em síntese

O Lean-Lift e Rotomat não competem em abstrato: respondem a padrões de operação diferentes. Quando o stock é variável e a densidade útil pesa mais, a flexibilidade do Lean-Lift tende a ganhar. Quando o acesso é repetitivo e a cadência dita o desempenho, o Rotomat costuma ser a escolha mais consistente. O ponto decisivo é alinhar o sistema de armazenagem automática com o padrão real de acesso e medir o resultado nas métricas que interessam: tempo por recolha, estabilidade do ritmo, área libertada e controlo do inventário. Para a área libertada, a primeira estimativa pode ser feita em minutos: basta simular a poupança de espaço com as dimensões do armazém atual.

Perguntas frequentes

Qual é mais rápido, o Lean-Lift ou o Rotomat?

Depende do padrão de acesso. Em recolhas repetitivas de artigos de dimensão fixa, o Rotomat tende a ter o menor tempo por recolha, porque roda pelo percurso mais curto. Em stock variado, o Lean-Lift compensa com o pré-carregamento da bandeja seguinte e com a densidade, que reduz o número de máquinas e de deslocações.

Qual ocupa menos espaço?

O Lean-Lift aproveita melhor a altura e ajusta cada posição ao conteúdo, o que dá a maior densidade quando os artigos variam de tamanho. Para artigos de dimensão uniforme, o Rotomat consegue uma ocupação de solo igual ou menor com menos investimento.

Ligam-se ao WMS e ao ERP?

Sim, ambos. O controlo do equipamento gere localizações, quantidades e listas de picking, e integra-se com o WMS ou o ERP da empresa para que cada acesso fique registado e o stock se mantenha atualizado em tempo real.

ARTIGOS RELACIONADOS

Mantenha-se atualizado e receba as últimas novidades subscrevendo a nossa Newsletter

NOTÍCIAS VRC WAREHOUSE TECHNOLOGIES

Receba as últimas novidades da VRC Warehouse Technologies na nossa newsletter mensal.

As perguntas-chave para escolher a
solução ideal

White Paper

Automatização de Armazéns

Capa do white paper sobre automação de armazéns da VRC

O futuro passa pela automação?

Setor Alimentar

White Paper Cadeia de Frio

Operador em armazém farmacêutico com sistema de armazenagem automática

Armazenagem inteligente e aumento da eficiência intralogística

E-commerce

Case Study Craftelier

Capa do case study Craftelier sobre armazenagem automática e eficiência logística com a VRC

Armazenagem inteligente e aumento da eficiência intralogística

Indústria Têxtil

Case Study Twintex

Capa do case study Twintex sobre automatização de armazém

Automatização logística com separação isotérmica de ambientes na indústria farmacêutica

Indústria Farmacêutica

Case Study Hefame

Capa do case study Hefame sobre automatização na distribuição farmacêutica